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Está nas bancas o novo número da Br História. O dossiê de capa é sobre Aleijadinho. Nesta edição, tentamos responder a uma série de perguntas que até hoje intrigam quem se debruça sobre a vida e a obra do mestre do barroco mineiro.
Teria mesmo sido lepra a doença que o deformou?
Quais as obras que realmente teria confeccionado?
Como um deficiente físico poderia ter realizado esculturas tão elaboradas?
Uma vez que nunca teve seu retrato pintado em vida, como era a aparência de Aleijadinho?
E a mais desconcertante de todas as dúvidas: Aleijadinho teria realmente existido ou seria apenas um mito criado na época do Estado Novo?

O papa e a história

Esperou em vão quem sonhava que o papa, em sua viagem ao Brasil, pedisse perdão pelos erros cometidos em nome da fé no continente sul-americano. Os sucessivos pedidos de perdão que foram a marca de João Paulo II não encontram eco na consciência de Bento XVI.

Para o novo papa, os fins justificam os meios. E travou-se aqui não uma guerra colonial que dizimou populações inteiras de ameríndios, mas processo de evangelização legitimado pela superioridade da fé católica de cristãos portugueses e espanhóis.

Líderes indígenas consideraram as declarações do papa "arrogantes e desrespeitosas". Eles discordam que a Igreja Católica os tenha purificado, e que retomar suas religiões originais seja um retrocesso.

Num discurso para os bispos latino-americanos e do Caribe no encerramento de sua visita ao Brasil, o pontífice distorceu um pouco a história ao afirmar que a Igreja não havia se imposto aos povos indígenas das Américas. Segundo Bento XVI, os índios receberam bem os padres europeus, já que "Cristo era o salvador que esperavam silenciosamente".

"É arrogante e desrespeitoso considerar nossa herança cultural menos importante que a deles", respondeu Jecinaldo Satere Mawe, coordenador-chefe da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Mas não se deve esquecer que, se os conquistadores contaram com a bênção dos sacerdotes católicos, muitos desses religiosos deram sua vida para defender os índios aldeados em torno das missões dos bandeirantes que queriam levá-los como escravos.

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