Morel e a CIA

Entre os historiadores, o nome do pesquisador e professor da Uerj Marco Morel é mais do que conhecido.

Mas nem todo mundo sabe que, antes de se dedicar à História, Morel foi jornalista. E dos bons. Afinal, ele descende de uma linhagem de homens de imprensa, a começar por seu avô, Edmar.

Um dos maiores jornalistas investigativos da história deste país, Edmar Morel lançou, um ano depois do golpe militar, o livro "O golpe nasceu em Washington". Publicado em 1965 pela Civilização Brasileira, o livro foi logo censurado e desqualificado pelos militares, além de ter seu conteúdo peremptoriamente desmentido pelas partes.  Logo depois, uma bomba explodiu na editora.

O que dizia? Exatamente o mesmo que os documentos recentemente liberados pela CIA 43 anos depois comprovam: os americanos patrocinaram o golpe de Estado que derrubou o presidente João Goulart.

Mais histórias da CIA

Há uma piada que parece exagero, mas hoje, diante da liberação dos documentos da CIA dos anos 60, chega a ser premonitória. Um gaiato diz para o outro: Sabe porque nunca houve golpe de estado nos EUA? Não???? Porque lá não tem consulado americano!

Entre os documentos relativos ao Brasil, está a troca de correspondência do embaixador americano Lincoln Gordon com o presidente Lyndon Johnson, em que este pede ajuda financeira e armas para patrocinar um golpe contra o presidente João Goulart.

A ajuda não se limitava aos militares, mas também patrocinava marchas de grupos conservadores.

A família do ex-presidente brasileiro entrou na Justiça americana com um pedido bilionário (3, 4 bilhões de dólares) de indenização.

Brizola e a revolução chinesa

Os novos documentos secretos da CIA, recém-revelados pelo governo americano, indicam que, ao contrário de Fidel Castro, os comunistas chineses não acreditavam que seria possível fazer uma revolução vermelha no Brasil. E alertaram aos dissidentes mais radicais do PC do B que a própria revolução chinesa tinha levado 30 anos para acontecer. O impecilho, por incrível que pareça, seria a figura de João Goulart e o apoio que conquistara do PCB. No entanto, em 1965, os chineses teriam dado uma substanciosa ajuda para Leonel Brizola dar início a operações de guerrilha no Rio Grande do Sul. Seis meses depois, segunda a CIA, Brizola mudou de mecenas e passou a receber dinheiro direto de Cuba.

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